quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Resta um Descanso

O sábado é um marco muitíssimo importante constituindo um ponto de partida estabelecido por Deus logo na criação. O primeiro mandamento explicitamente exigido do homem recém criado foi o quarto mandamento (Êxodo 20:8-11), o shabat - termo que significa parada – sendo que o homem havia sido criado imediatamente antes do dia sétimo e, portanto, não necessitava de uma parada para descansar, conforme a maioria dos eruditos entende. Mas, se a palavra shabat significa parada ou descanso, é necessário verificar o que deve estar parado.

Segundo a Torá, um povo necessita seguir alguns princípios para que possa formar associações e estar unido: justiça, liberdade, uma lei, respeito à vida (falamos da santidade da vida), a dignidade humana. Tais princípios são encontrados nas regiões celestes onde não entrou o pecado e, considerando que o decálogo expressa o ambiente legal do céu, então no sábado encontramos os mesmos princípios.

Estamos acostumados a uma sociedade que está submetida a hierarquias e poderes que se impõem pela força, e que dividem a população em duas classes: os livres e os escravos. Mas, o céu propõe um outro tipo de política baseada não na força, mas, na aliança. Neste caso, nós consentimos livremente que Deus tem a soberania e permitimos a submissão. E este é o raciocínio que está expresso na guarda do sábado. Nele há igualdade e justiça, igualdade que dignifica o ser humano. O grande princípio do sábado é que nele todos são iguais, todos param o trabalho, significando que os poderes sociais cessam não havendo dominadores e dominados, uma aliança acatada. Este é o mais refinado ambiente de justiça. Até mesmo os animais experimentam dignidade porque também não trabalham. É um ambiente de mutualidade, todos consentem na liberdade, e na justiça. A mutualidade ou reciprocidade é a condição para que possa haver a justiça; todos tem direito a tudo.

A vida de Jesus mostra claramente o espírito do sábado. Seus mais significativos milagres ocorreram no sábado, e a razão é que neste dia a justiça e a dignidade humana são alçadas. No milagre realizado no homem que jazia enfermo por trinta e oito anos junto ao tanque de Betesda (João 5) vemos Jesus demonstrando o raciocínio exposto. Era sábado, e Jesus aproximou-se daquele enfermo sem que o mesmo lhe pedisse, e disse-lhe: queres ficar são?

O homem explicou-lhe que não havia nenhum homem que o pusesse no tanque quando as águas eram agitadas. O pobre homem esperara por trinta e oito anos que alguém usasse de justiça e observasse nele uma pessoa digna. Disse-lhe Jesus: Levanta, toma a tua cama e anda. O que aconteceu ali foi a aplicação do princípio do sábado. Todos têm direito a tudo porque são iguais, ao ser humano seja dada dignidade.

Tal qual hoje, os judeus da época não assimilaram os princípios da lei e, consequentemente, não entendiam como proceder no sábado. Disseram que não é lícito levar o leito no sábado e, além disso, acusaram Jesus de quebrar a guarda do sábado.

O descanso sabático confere ao ser humano sua mais alta dignidade. Confere ao povo de Deus o mais elevado senso de justiça. Todos têm direito a tudo. Há o descanso porque cessam as hierarquias; todos deverão ter suas necessidades supridas.


Em Hebreus 4:9 lemos que “portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus”. No verso 11 lemos “Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência”.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma Demonstração Ainda Mais Elevada de Fé

As religiões cristãs têm muita dificuldade quando lidam com assuntos teológicos básicos e geralmente confundem religiosidade com beatice ou misticismo. Questões elementares como fé, são tratadas de forma confusa, sendo que tal confusão é consequência do abandono dos ensinamentos do Antigo Testamento, baseados na premissa de que o Antigo Testamento fora escrito para os judeus.

Há, além disso, a incompreensão do papel da igreja cristã no contexto universal do desenvolvimento do plano da redenção, o qual foi explicado por Jesus especificamente no famoso sermão da montanha. O cristianismo não anula o judaísmo e não é diferente de seus pressupostos, mas, é a própria evolução do judaísmo, conforme explicou o apóstolo Paulo, quem entendeu que os judeus deveriam evoluir para o cristianismo, tendo trabalhado intensamente na transição do sistema judaico para o sistema cristão.

Como mencionado acima, a questão da fé ficou incompreendida por várias razões: a) misticismo oriundo do judaísmo; b) misticismo ratificado pela incorporação de pressupostos pagãos; c) misticismo aprofundado por causa da incompreensão dos reclamos de Deus no Velho Testamento. 

Aos israelitas fora ensinado que a lei dos dez mandamentos tem dois princípios: amor a Deus (Dt.6:5) e amarás ao teu próximo (Lv. 19:18). Tais princípios foram ratificados por Jesus (Mc.12:30,31) e, consequentemente, estão em uso pelos chamados cristãos.

As religiões cristãs, permitiram que os princípios do Antigo Testamento fossem substituídos por pressupostos pagãos e, principalmente, por tradições humanas, as quais levaram ao desentendimento de assuntos basilares, sendo que a compreensão do que seja fé ficou mesclada com intenções místicas causadas pelo abandono da lei dos dez mandamentos e de seus princípios.

Ora, se os cristãos têm que amar a Deus e ao próximo como a si mesmos, a fé passa a ser um ato primeiramente de confiança e depois de justiça. Assim, quando a justiça está em evidência, a preocupação passa a estar centrada na pessoa do semelhante e não em nós mesmos.

Acontece que a fé cristã não obedece aos pressupostos cristãos. Aqueles que aderem ao cristianismo, na sua esmagadora maioria, buscam aos seus próprios interesses. Demonstrações de fé no seio das igrejas cristãs tem sempre que ver com aquisições pessoais, graças alcançadas, bênçãos recebidas, ostentação de privilégios, e por aí vai. Tais demonstrações são contrárias aos ensinamentos de Cristo e ao próprio procedimento dEle enquanto viveu entre os homens. Se a igreja cristã segue o seu líder Cristo, então deveria fazer as obras que ele fez. Por esse ângulo, na igreja cristã as demonstrações de fé deveriam estar relacionadas ao amor ao próximo.

É neste raciocínio que o apóstolo Tiago em sua epístola no capítulo 2:26 afirma: “Assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta”. O que materializa a fé cristã é o fazer as boas obras copiando o modelo que é Cristo. Se temos fé em Jesus faremos as obras que ele fez , segundo Atos 10:38 “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”. Jesus buscava constantemente o ambiente da justiça, exatamente como lemos em Isaías 58:6-11 onde o profeta recomenda o efetuar de boas obras: “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?  Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda. Então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam.

A escritora Ellen White no seu livro Para Conhecê-lo (p.331) produz a seguinte afirmação: “Quando perante Deus se passarem em revista os casos de todos, não se fará a pergunta: Que professaram? mas sim: Que fizeram eles? foram praticantes da Palavra? Viveram apenas para si mesmos? ou se tornaram hábeis em obras de beneficência, em atos de bondade, em amor, preferindo os outros a si mesmos e negando-se a si próprios a fim de que fossem uma bênção aos outros? Se o registro mostrar que essa foi sua vida, que seu caráter foi assinalado pela ternura, renúncia e beneficência, receberão então de Cristo a bendita declaração: “Bem está.” “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Mateus 25:23, 34.

Devemos realizar as mesmas obras que Cristo realizou, mas, é imprescindível ter fé nEle. Na medida em que vamos conhecendo Jesus vamos acumulando confiança e, consequentemente, aumentando nossa fé, passando sem que percebamos a realizar as obras de justiça.  Aqueles que estarão aptos no segundo advento de Jesus terão necessariamente fé em Jesus (Apocalipse.14:12), ou seja, estarão operando as obras que ele realizou.


Agora, queremos mostrar a transformação ou a transição do judaísmo para o cristianismo realizada pelo próprio Cristo quando, durante a última páscoa antes do seu sacrifício, estabeleceu a santa ceia. Para o judaísmo a mais alta demonstração de fé se dava quando um homem tomava um cordeiro e oferecia seu sacrifício no templo, demonstrando fé no sacrifício vindouro do Messias. Assim foi na saída do Egito quando os chefes de famílias judeus pintaram os umbrais das portas com sangue de cordeiro. Também Raabe, quando os israelitas tomaram Jericó, pendurou um cordão vermelho na janela demonstrando fé no Messias salvador. Com a morte de Jesus os sacrifícios perderam seu significado, considerando que o tipo encontrou o antítipo, ou seja, o verdadeiro sacrifício, uma vez ocorrido, prescrevera o sistema simbólico de sacrifícios animais. Por esse motivo, deveria haver outra demonstração de fé, sendo assim estabelecida por Cristo a santa ceia na qual o vinho simboliza o sangue que, agora de uma forma mais viva, é passado nos umbrais da alma humana. Esta é a evolução experimentada pelo cristianismo em relação ao judaísmo. A ceia estabelecida por Jesus tornou-se a maior e mais profunda demonstração de fé que um homem pode oferecer a Deus. Tal raciocínio está explícito em Lucas 22:20 que diz: “Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós". Assim, se o vinho representa a nova vontade/testamento de Jesus no seu próprio sangue e, se da mesma forma o sangue de animais representava o de Jesus, então a santa ceia é a demonstração mais elevada de fé pós sacrifício de Cristo. Por outro lado, em I Corintios 11:26 vemos que Jesus recomendou aos cristãos a constante demonstração de fé participando da ceia: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha". Anunciar a morte significa crer nela como sacrifício plenipotenciário para assegurar a própria vida e a salvação. Jamais deveriam os crentes deixar de participar deste rito. Conforme vimos, o cristianismo é a evolução do judaísmo, mas os cristãos necessitam saber disso.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O grande Julgamento

O mundo cristão defende a ideia de um grande e final julgamento quando Deus dará a cada membro da humanidade a recompensa por sua atuação neste mundo. O conceito do julgamento está também em religiões não cristãs, tais como, judaísmo e islamismo, por exemplo. Assim, todos os homens deverão prestar contas de seus atos perante um tribunal cujo juiz é o próprio Deus. A Bíblia orienta os homens em relação ao juízo em Apocalipse 14:6,7 dizendo: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas!”.  Outra vez em Atos 17:31 diz: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo”.

Muitos religiosos buscam inferir como será este julgamento e como a humanidade se comportará diante do juiz. Artistas pintam quadros onde tentam retratar esse dia solene, mas, é na própria Bíblia que encontramos a descrição deste julgamento. Em Mateus 25:31,32 lemos: “E quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono da Sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dEle, e apartará uns dos outros”.

Jesus apresentou, neste discurso, sua decisão como girando em apenas um ponto: o destino eterno de cada homem será determinado pelo que houverem feito ou negligenciado fazer por Ele na pessoa dos pobres e sofredores.

A escritora Ellen White comenta esta ocasião da seguinte maneira: “Naquele dia, Cristo não apresentará aos homens a grande obra que Ele fez em seu benefício, ao dar a própria vida pela redenção deles. Apresenta a fiel obra que fizeram por Ele. Aos que põe à Sua direita, dirá: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-Me de comer; tive sede, e destes-Me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-Me; estava nu, e vestistes-Me; adoeci, e visitastes-Me; estive na prisão, e fostes ver-Me”. Mateus 25:34-36. Mas aqueles a quem Cristo louva, não sabem que O tinham servido a Ele. À sua perplexa interrogação, responde: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes”. Mateus 25:40. (Desejado de Todas as Nações (DTN), p. 451).

Há somente dois grupos de pessoas; os que construíram um caráter semelhante ao de Cristo e os que não se preocuparam com o aprimoramento do seu próprio caráter. Sobre estes a escritora acrescenta: “Os que estão à esquerda de Cristo, os que O negligenciaram na pessoa dos pobres e sofredores, estavam inconscientes de sua culpa. Satanás os cegara; não perceberam o que deviam a seus irmãos. Estiveram absorvidos consigo mesmos, e não cuidaram das necessidades dos outros. (DTN 452). 

Neste mesmo trecho a escritora acresce que “Deus deu aos ricos fortuna para que socorram e confortem Seus filhos sofredores; mas demasiadas vezes são indiferentes às privações dos demais. Sentem-se superiores a seus irmãos pobres. Não se colocam no lugar deles. Não compreendem suas tentações e lutas, e a misericórdia extingue-se-lhes no coração. Em custosas habitações e esplêndidas igrejas, os ricos excluem-se dos pobres, e os meios dados por Deus, para beneficiar os necessitados, são gastos em ostentação, orgulho e egoísmo. Os pobres são diariamente roubados quanto à educação que deviam ter a respeito das ternas misericórdias de Deus; pois Ele tomou amplas providências para que fossem confortados com o indispensável à vida. São forçados a sofrer a pobreza que limita a existência, sendo muitas vezes tentados a ficar invejosos, ciumentos e cheios de ruins suspeitas. Os que não sofreram, por sua parte, a pressão das necessidades, frequentemente tratam os pobres com menosprezo, fazendo-lhes sentir que são considerados indigentes (DTN 452).

Jesus ilustrou a situação dos religiosos em relação ao juízo final na parábola das dez virgens. Ali, um grupo de cinco jovens dormiu enquanto esperavam o noivo. Para estas, faltou óleo às suas lâmpadas e, no momento em que o noivo chegou não tinham suas lâmpadas acesas e, no desespero para acompanhar o noivo, saíram para comprar óleo, mas, não o encontraram. Mesmo assim, foram até o endereço das núpcias e, batendo na porta solicitaram entrada, mas, o noivo as repeliu dizendo que não as conhecia.

Esta parábola é significativa. A semelhança do que é apresentado no capítulo 25 de Mateus, aqui também estão dois grupos. Para um deles faltou o óleo e, por consequência, suas lâmpadas apagaram. Tal fato ocorreu porque dormiram. O que significará o dormir no ambiente do juízo final?

A compreensão de tão profundo ensinamento deixado por Jesus parece estar no livro de Números, capítulo 28, nos versos 1 a 6: “Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Dá ordem aos filhos de Israel, e dize-lhes: Da minha oferta, do meu alimento para as minhas ofertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para me oferecê-las ao seu tempo determinado. E dir-lhes-ás: Esta é a oferta queimada que oferecereis ao SENHOR: dois cordeiros de um ano, sem defeito, cada dia, em contínuo holocausto; Um cordeiro sacrificarás pela manhã, e o outro cordeiro sacrificarás à tarde; E a décima parte de um efa de flor de farinha em oferta de alimentos, misturada com a quarta parte de um him de azeite batido. Este é o holocausto contínuo, instituído no monte Sinai, em cheiro suave, oferta queimada ao SENHOR”.

Deus comanda que os sacrifícios de animais deveriam ser acompanhados de 1/10 de flor de farinha juntamente com ¼ de azeite batido. Será necessário entender o que estas medidas representam e por que são determinados flor de farinha e óleo para completar o sacrifício. Efa era uma medida judaica para grãos equivalente a 23 litros. Um décimo de efa equivale a 2,3 litros. O him era uma medida para líquidos equivalente a seis litros, logo, um quarto de him equivale a 1,5 litros.

Agora que sabemos o que as medidas requeridas representam no sistema decimal, podemos ver o significado de flor de farinha. Segundo o Seventh Day Adventist Bible Commentary "a flor de farinha, ou farinha fina, é o produto da cooperação entre Deus e os homens. Deus coloca o princípio da vida na semente, dá sol e chuva, e a faz crescer. O homem semeia a semente, a cuida, a colhe, a moi para fazer farinha, e apresenta esta farinha perante o Senhor, ou a prepara em tortas cozidas ao forno. É a soma do dom original de Deus mais o trabalho do homem.  É devolver a Deus o que é dEle com juros. É símbolo da obra da vida do homem, de talentos aperfeiçoados. Deus dá a cada homem talentos segundo a capacidade que tenha para emprega-los. Alguns têm vários talentos; ninguém carece totalmente deles. Deus não se compraz quando os homens somente devolvem a quantidade de semente que lhes foi confiada. Deus quer que os homens semeiem a semente, a cuidem, a colham, a limpem de toda impureza, a moam entre as duas pedras do moinho, sacando dela toda a vida mediante a trituração, e logo a apresentem como "flor de farinha". Deus espera que cada talento seja melhorado, refinado e enobrecido".

No texto se faz menção de triturar a farinha entre as duas pedras do moinho, embora existam outras maneiras de se triturar o grão; por que está mencionado o moer entre duas pedras?

A palavra pedra na linguagem bíblica pode simbolizar diversos aspectos quando aparece no singular. Duas pedras geralmente estão relacionadas com aquelas pedras que foram dadas a Moisés, as quais continham a escrita de Jeová. Assim, podemos interpretar a moagem entre duas pedras como sendo o aperfeiçoamento do homem através da lei dos dez mandamentos. Neste sentido, o Seventh Day Bible Commentary acrescenta que “a farinha não é mais que o grão triturado. Antes de ser moído, o grão era capaz de perpetuar-se, de transmitir vida. Depois de passar pela moenda, é aparentemente inútil. Nunca poderá ser plantado novamente. Não tem vida. Porém, é inútil? Não. Deu sua vida; foi morto para suster outra vida. A trituração de sua própria vida o transformou no meio de perpetuar uma vida superior. Era a vida da semente; agora ajuda a manter a vida de um ser vivente, criado à imagem de Deus. A morte o enriqueceu, o glorificou, tornando-o útil para o homem”.

Agora que sabemos que a flor de farinha representa as obras humanas aperfeiçoadas pela lei poderemos buscar o significado do azeite batido. Utilizando novamente o Seventh Day Bible Commentary encontramos que “a farinha não devia oferecer-se só; devia mesclar-se com azeite. O azeite é símbolo do Espírito de Deus. Somente quando a vida está santificada pelo Espírito, quando está mesclada com ele, e esteja ungida por ele, poderá ser agradável diante de Deus. O sofrimento em si mesmo quiçá não resulte uma benção. Para alguns lhes endurece o coração e amarga o espírito. Porém quando o Espírito Santo toma posse da alma e o doce espírito do Mestre se difunde na vida, se manifesta a fragrância de uma vida consagrada”.

Na verdade, estamos diante de uma equação matemática importante: 2,3 de obras humanas purificadas pela lei mais 1,5 da ação do Espírito Santo. O que temos é a proporção que deve ser utilizada para que sejam apresentados diante de Deus sacrifícios agradáveis.

Voltando para a parábola das dez virgens, cinco delas dormiram, ou seja, não tinham realizado os 2,3 da parte do homem e, por consequência, não tinham os 1,5 do Espírito Santo. Jesus mesmo informou que os seus filhos seriam a luz do mundo. Em I João 2:9 temos a definição de luz: “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Através de João podemos entender que as virgens que dormiram não se preocuparam com os seus semelhantes e, não tinham luz e nem o óleo do espírito Santo. Por consequência foram consideradas desconhecidas ou incluídas no grupo daqueles que não tiveram acesso às núpcias ou não aperfeiçoaram o seu caráter.


No grande juízo que, segundo a profecia, já está em curso, haverá somente dois grupos. O anjo do Apocalipse declarou que era chegada a hora do juízo e incitou a todos em relação ao adorar aquele que fez o céu e a terra. A razão para esta ordem é clara; o Deus que criou o céu e a terra pôs neles os princípios da sua lei. A observação do funcionamento de ambos deverá ensinar aos homens como devem agir também. Ao final, quando o juiz prolatar a sentença final, colocará um grupo de pessoas à sua direita e outro grupo à sua esquerda, separando aqueles que realizaram obras no ambiente da lei, daqueles que realizaram obras no ambiente humano egoísta.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Cavalgando as alturas da Terra


A observância do Sábado do sétimo dia da semana é um assunto de importância fulcral, considerando que será o ponto focal do grande embate que virá momentos antes do final do grande conflito, sendo o divisor entre os que servem ao verdadeiro Deus e os que não servem.

No evangelho de Marcos (2:27,28) é insofismável o caráter da observância do sétimo dia: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é Senhor também do sábado”. O fato de o Sábado ter sido estabelecido por causa do homem permite algumas indagações: 1) por que o homem necessita do Sábado?; 2) por que foi o Sábado dado ao homem e não outro dia?

De um modo geral, o raciocínio em torno da guarda do Sábado é explicado pela necessidade de um repouso para recomposição dos gastos físicos semanais. Esta tese é sustentada pelos teólogos, psicólogos e profissionais da saúde humana. Porém, quando se observa que a ordem para observar o sétimo dia foi dada por Deus imediatamente após o surgimento do homem, e nas condições anteriores ao estabelecimento do pecado, parece inadequada a defesa de descanso físico. Adão descansou não por causa do cansaço de uma semana de afazeres, mas, por uma outra razão superior, o que leva ao raciocínio de que a observância do sétimo dia é um princípio que tem a ver com o equilíbrio humano. Isaias (58:13) adverte para desviar os pés do Sábado, significando que não devemos desconsidera-lo, mas, observa-lo, não como um fim em si mesmo, mas, um meio pelo qual o homem pudesse conhecer melhor o caráter e os propósitos de seu criador. Além disso, um período para honrar a Deus, desenvolvendo atividades que proporcionem conhecimento mais cabal sobre Deus e suas obras, seus caminhos e sua vontade, servindo de conduto através do qual o amor divino possa chegar ao coração e à vida de nossos semelhantes. Tais atividades honram a Deus. Aqueles que fazem do Sábado o que Deus ordenou que fosse, participam de uma relação íntima com Deus e, consequentemente serão abençoados, sendo-lhes permitido cavalgar as alturas da terra, significando domínio sobre a própria existência.

A premissa que embasa a lógica sobre a guarda do Sábado está em que “[...]a grande lei de amor revelada no Éden, proclamada no Sinai, e, no novo concerto, escrita no coração, é o que liga o obreiro humano à vontade de Deus. Se fôssemos entregues a nossas próprias inclinações, para ir justo aonde nos levasse nossa vontade, iríamos cair nas fileiras de Satanás, e tornar-nos possuidores de seus atributos [...]”. (Desejado deTodas as Nações, p.228). Pode-se concluir que há um princípio geral no universo criado onde a ausência da Lei causa deriva moral instantânea. “Portanto, Deus nos restringe à Sua vontade, que é elevada, nobre e enobrecedora. Deseja que empreendamos paciente e sabiamente os deveres do serviço” (IDEM).

Sistemas religiosos que negam o princípio sabático reiteram a pretensão de que as criaturas deveriam ser deixadas a seguir suas próprias inclinações, que sempre as conduziria corretamente e, desta forma, estabelecem um ambiente de anomia que leva à inevitável degradação moral.

O Sábado foi feito por causa do homem (Mateus 2:27) o que torna a observância deste dia necessária, mas, ainda persiste a pergunta: por que Deus estabeleceu o Sábado e não outro dia? Ou ainda, por que Deus criou o mundo em seis dias e não em outro período de tempo?

A semana da criação é um ato onde Deus exerce sua autoridade imprimindo em cada etapa da mesma, o seu próprio caráter, o qual era conferido ou avalizado com a frase “viu que era bom”(Gen.1). Ao submeter Adão ao descanso do sétimo dia, deu-lhe o Senhor a oportunidade para contemplar o caráter divino na natureza recém criada e, por consequência, plasmar o caráter nobre em si mesmo. Por ser o homem o artífice do seu próprio caráter, tem a necessidade de um repouso onde possa dedicar-se à contemplação da ordenação divina e, desta forma copiar o modelo. Nesta construção são necessárias duas ações: fé e obras.

Jesus demonstrou como o homem deverá observar o Sábado, santificando-o; depois de ir à sinagoga para a adoração, gastava o restante do tempo sendo uma benção aos semelhantes, aliviando seus sofrimentos. Foi no sétimo dia da semana que Jesus operou todos os grandes milagres registrados nos evangelhos. Desse modo, Ele santificou o Sábado e nós, seus seguidores e discípulos, devemos aprender do mestre para não utilizar o período sabático em proveito próprio, profanando-o com obras egoístas.

Por este ângulo de análise não sobra muito espaço para pensar no Sábado como período para o descanso físico. Somente obedecendo a Deus e dedicando tempo para ajudar os necessitados pode o homem encontrar descanso para a sua alma.



domingo, 3 de agosto de 2014

Cooperação em ciência, tecnologia e inovação e educação nos países amazônicos

Artigo publicado na revista Ciência e Cultura vol.66, no.3, São Paulo set. 2014,  Núcleo Temático: Amazônia Sem Fronteiras (uma publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC)

 




Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca


O Fórum Mundial de Ciência ocorrido no Rio de Janeiro em novembro de 2013 discutiu a necessidade de mudanças nas relações internacionais, considerando que os sistemas econômico e de transporte quase tornaram extintas as distâncias horizontais que separavam os mercados planetários. Tal situação provocou mudanças profundas nas dinâmicas ambientais e no comportamento social, transformando problemas, outrora localizados geograficamente, em grandes enigmas globais. A complexidade dos problemas ambientais está a requerer soluções inovadoras que, por sua vez, exigem articulações multinacionais (pesquisas e tecnologias) e mudanças no domínio diplomático-científico.
A produção do conhecimento vem sendo considerada tarefa central para quase todos os países e, neste contexto, a transformação através de uma sociedade do conhecimento é o caminho para assegurar prestígio e competitividade (1). Pesquisa passa a ser encarada como parte da atividade econômica requerendo ações de agregação nos vários níveis espaciais.
No caso específico dos países amazônicos, estudos que avaliam pressupostos desta natureza são escassos e pouco é discutido sobre a dimensão regional da produção colaborativa de conhecimento, a despeito de se considerar a cooperação relevante às políticas de ciência e tecnologia dos países. Indicadores de produção de ciência no século XXI demonstram que colaboração científica é a característica predominante no mundo (2). Trabalhos em coautoria formam 50% de toda publicação científica atual (3).

O PROCEDIMENTO DO BRASIL
A literatura que analisa a cooperação científica internacional, do ponto de vista político e estratégico, enxerga alguns impulsionadores para as publicações em coautoria entre países nos vários continentes (3): i) A emergência de alguns países (ex. Brics) com desenvolvimento de pesquisas e tecnologias reconhecidas como compatíveis com os padrões internacionais; ii) o crescimento do debate sobre as mudanças globais, sustentabilidade energética e segurança em saúde; iii) a globalização da pesquisa e desenvolvimento acelerada pela mobilidade dos pesquisadores, atualmente mais visível na pesquisa industrial; iv) o crescimento demográfico e o decréscimo de capital humano para ciência e engenharia, resultando na escassez de talentos, o que torna a colaboração uma via para atrair talentos de países parceiros; v) a ampliação dos debates sobre políticas e aspirações para prover mais massa crítica e perfil internacional de excelência em pesquisa e, nesta conjuntura, a parceria com o melhor desempenha papel decisivo.
No espaço pan-amazônico, os impulsionadores acima podem ter especial relevância para países com razoável desenvolvimento científico e tecnológico, e não para a região como um todo, considerando que há assimetrias acentuadas entre os países e mesmo no interior destes. Tal situação impõe a adoção de estratégias políticas para ciência e desenvolvimento particulares para cada país, o que pode ser um fator complicador na cooperação regional.
Olhando a América do Sul do ponto de vista econômico, os indicadores mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) gerado no continente corresponde a US$ 4.797 bilhões; somente o Brasil é responsável por US$2.324 bilhões, correspondendo a 48,44% do PIB sul-americano. Aliado a isso, o Brasil aplica 1,07% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), correspondendo a 63,5% do investimento latino-americano em P&D (5). Tais números estão refletidos na infraestrutura brasileira de pesquisa e na quantidade de pesquisadores (cerca de 300 mil) no sistema de ciência e tecnologia (C&T) nacional. Em virtude desses índices, o Brasil assume um papel crítico para o desenvolvimento dos sistemas de C&T nos países amazônicos. Em termos globais, os referidos países têm participação periférica no PIB mundial, sendo que corresponde ao Brasil 2,9% do total; o investimento em C&T corresponde a 1,8% do total mundial, embora o investimento relativo ao setor privado seja ainda insignificante. Países desenvolvidos tais como Estados Unidos e Japão contribuem respectivamente com 32,6 e 12,9% do investimento mundial em C&T (6). Nos relatórios aqui investigados não são contabilizados os índices para os investimentos amazônicos em C&T; no entanto, pode-se inferir o "fosso" existente entre a pan-Amazônia e o mundo desenvolvido, tomando-se como exemplo a dinâmica brasileira de investimentos realizados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) onde, para a região Norte, em 2013, foram liberados recursos da ordem de R$20 milhões em projetos de pesquisas, sendo que para a região Sudeste os mesmos investimentos somaram R$240 milhões. Tal desequilíbrio parece representar a situação dos investimentos em C&T à pan-Amazônia comparados com as regiões mais desenvolvidas do mundo. Essa condição gera internamente expectativas políticas que prontamente requerem maior equilíbrio.

OS GRUPOS DE PESQUISAS
Análises sobre a produção de conhecimento demonstram a tendência global de publicações em coautoria (4; 5). Há aumento na colaboração científica e nas ligações entre ciência e tecnologia, encorajando a colaboração entre academia e empresas, o que torna importante a mobilidade de pesquisadores nos âmbitos nacional e internacional. Afortunadamente, a comunicação eletrônica tem se tornado excelente meio para formação de grupos de pesquisa multinacionais e, nesse espaço, a cooperação entre grupos em proximidade geográfica se intensifica (6), e mesmo a cooperação entre grupos não simpátricos ocorre mais livremente, porque a distância horizontal deixa de ser fator de isolamento.
Alguns arquétipos podem ser observados na promoção da cooperação científica, tais como: i) mudanças nos padrões de financiamento de pesquisas; ii) imperativo de infraestruturas complexas; iii) a necessidade de aumentar o fluxo de ideias e técnicas; iv) carência de visão multidimensional sobre problemas complexos; v) fatores analíticos, que determinam o impacto das publicações; vi) a correlação positiva entre número de coautorias e a probabilidade de publicação. Há ainda o caso do decréscimo de pesquisadores em algumas regiões do mundo, fato que constrange o aumento da cooperação. Por outro lado, é importante dizer que trabalhos individuais também produzem impacto relevante desde que os resultados tenham níveis de generalização altos (4).
Um diagnóstico sobre a cooperação científica entre os países amazônicos deve ser precedido de uma verificação dos sistemas de C&T nos vários países que integram a região. Assim, um documento importante sobre o estado da ciência nessa região é o relatório da Unesco (2). Há, em países como o Brasil, Colômbia e Peru, algumas ilhas de excelência que significam polos de capacidade que podem se tornar motores para o desenvolvimento regional, mas há necessidade de políticas regionais adequadas que possam representar um alicerce importante de promoção do diálogo multinacional. O número de trabalhos em coautoria entre cientistas dos países amazônicos é desconcertantemente baixo (7), mesmo em campos do conhecimento onde se esperaria maior relacionamento. Historicamente, o volume maior de cooperação realizado por países amazônicos sempre se deu com Estados Unidos e países europeus, chegando a representar 73% dos trabalhos em coautoria (3). Esta situação é paradoxal considerando que os países amazônicos têm realiza do muitos acordos de cooperação sendo que este assunto é um dos itens da agenda estratégica da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Mas, existem explicações para esse fato.
Os países sul-americanos que, além do Brasil, são frequentemente citados nos principais índices internacionais (base de dados ISI/Thomson Reuters, Scopus, entre outros) são Argentina e Chile. Os países amazônicos (excetuando o Brasil) não estão entre os de produção significante, embora haja muito conhecimento oriundo deles. Esse fato desestimula e, de certo modo, dificulta a cooperação entre os países amazônicos. No entanto, tem havido esforços para promover a coparticipação científica através de entidades regionais, como a Associação de Universidades Amazônicas (Unamaz) (criada em 1987), uma iniciativa de docentes e pesquisadores dos oito países amazônicos durante o Seminário Internacional "Alternativas de Cooperação Científica, Tecnológica e Cultural entre Instituições de Ensino Superior dos Países Amazônicos (Citam)". Nos últimos dois anos, a OTCA tem estimulado maior integração regional, mas há ainda grandes desafios a superar considerando as desigualdades nas estruturas de C&T dos países signatários da organização.

COOPERAÇÃO CIENTÍFICA EM AMBIENTES DESIGUAIS
A Rede Interamericana de Academias de Ciência declarou que durante o século XXI, qualquer planejamento para inclusão social e fortalecimento de sistemas de governança deverá levar em consideração aplicação extensiva de conhecimento científico, inovação e educação em ciências (8). Chaimovich (9) propõe algumas indagações muito oportunas quando o assunto é ciência e desenvolvimento: ciência competitiva ou colaborativa? Local ou internacional? Quais são os mecanismos de cooperação internacional adequados?
Cooperação científica entre ambientes desiguais pressupõe ajustes a priori, sem o que não haverá como contribuir. Uma das disparidades no ambiente amazônico ocorre em relação aos modelos de ensino superior. Os jovens estudantes necessitarão ter currículos escolares equiparados para que as universidades ofereçam níveis semelhantes de preparo profissional. Isto já ocorreu na Europa desde o início dos anos 2000, onde o ensino superior está igualado, sendo que os alunos pertencem ao sistema europeu de ensino, com possibilidades de ampla mobilidade interna, de modo que possam ter acesso sempre aos melhores professores, além de diplomas prontamente reconhecidos no espaço europeu, visando empregabilidade.
Aprimoramentos no sentido da criação de um sistema educacional comum para os países membros da OTCA poderiam ser uma alavanca para antecipar o desenvolvimento da região, mas não seria uma tarefa trivial. A infraestrutura para o sistema de C&T na Amazônia continental ainda não é suficiente e nem integrativa. Não existem plataformas computacionais que unifiquem informações e possam criar indicadores sobre os avanços científicos, permitindo planejamentos consistentes e visão das prioridades. Além do Brasil, nenhum dos países amazônicos possui banco de dados dos recursos humanos em C&T e, tampouco, acesso à literatura de forma rápida e completa, tal qual oferecem a plataforma Lattes do CNPq (http://lattes.cnpq.br) e o Portal de Periódicos da Capes (http://www.periodicos.capes.gov.br). No entanto, poder-se-ia oferecer ao ambiente pan-amazônico possibilidades para acesso à Plataforma Lattes, por exemplo, como política de integração regional, dando visibilidade imediata ao conjunto de pesquisadores amazônicos, além de explicitar os grupos de excelência e suas áreas de atuação. Tal conexão favoreceria a concepção de programas de pós-graduação com financiamento internacional (bolsas e mobilidade) onde se pudesse reunir a capacidade científica amazônica, além de harmonizar um perspicaz olhar sobre as demandas do setor produtivo regional, proporcionando formação empreendedora. Esses programas deveriam fornecer ao aluno informações sobre a realidade econômica regional e suas políticas de ampliação, as suas convergências e tendências desenvolvimentistas, bem como oportunidades de participação, como observadores, em reuniões com tomadores de decisões, onde são discutidos os problemas regionais, de modo a criar lideranças vigorosas.
Em 2010 o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizou uma oficina de planejamento juntamente com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para promover ações conjuntas no sentido de respaldar o desenvolvimento do chamado baixo Amazonas. Foram convidadas lideranças científicas e de instituições de fomento, além de líderes do setor produtivo, para que houvesse um ajuste na mirada acadêmica sobre a realidade local. O relatório resultante mostrou haver ampla desconexão entre os interesses da academia regional e as demandas efetivas do setor produtivo, ou seja, os currículos dos cursos de graduação e os programas de pós-graduação, especialmente estes últimos, não estavam voltados à expectativa do conhecimento requerido pelo setor produtivo. Em outras palavras, é lamentável que estejamos formando cientistas com menor capacidade para refletir sobre as implicações socioeconômicas de suas práticas. Muito provavelmente, a mesma situação deve repetir-se nos programas de pós-graduação dos demais países amazônicos. A integração de todos os sistemas de conhecimentos proporcionaria ambiente para enfrentar problemas complexos (tais como a segurança alimentar, saúde coletiva, desastres naturais e mudanças climáticas), mas que exigem soluções perspicazes.
A ciência pan-amazônica deverá ser competitiva em relação a outros espaços geopolíticos, mas, deverá ser cooperativa interna e externamente. Assim, os mecanismos de coparticipação deverão ser discutidos e ampliados para que não sejam preteridas as oportunidades individuais de cada nação e tampouco da região. A criação de uma atmosfera de economia baseada no conhecimento necessita de um espaço de intensa cooperação.
Os indicadores educacionais globais mostram outra realidade que necessita ser modificada: a da não existência de universidades de nível mundial na pan-Amazônia. Nenhuma universidade regional ocupa classificação entre as duzentas ou trezentas mais importantes nos vários índices publicados (World University Rankings; QS World University Rankings; Academic Ranking of World Universities) que medem a qualidade do ensino, quantidade e impacto das pesquisas, transferência de conhecimento e tecnologia e visibilidade internacional. Mesmo no ranking latino-americano, somente a Universidade Federal do Pará (UFPA) aparece entre as duzentas mais importantes, ocupando a 124ª posição (QS Latin American University Rankings). O paradoxo regional é que a influência do conhecimento gerado na pan-Amazônia é apenas tangencial quando se trata do desenvolvimento local. As indústrias e a sociedade amazônicas não são entusiasmadas pelo conhecimento produzido nas academias e estas, por sua vez, também não consideram o referido conhecimento como substrato para aprimoramento das suas atividades (10). As regiões periféricas na América do Sul ressentem-se de lideranças que possam sustentar problemas cada vez mais complexos e oferecer soluções compatíveis com a realidade regional e com as questões mundiais.
Considerando que a ciência produzida na Amazônia carece de níveis maiores de generalização e, consequentemente, é pouco citada por cientistas de outras latitudes, será imperioso que as universidades amazônicas busquem diligentemente maior internacionalização e novas formas institucionais. A criação de espaços internacionais para cursos bilaterais ou multilaterais poderá permitir a mobilidade docente e discente, promover capacitação científica e visibilidade, além da interdisciplinaridade (11).
O panorama da formação de capital humano de alta capacidade cognitiva na Amazônia continental não é alvissareiro ponderando que, em 2010, segundo dados da Rede de Indicadores de Ciência e Tecnologia Iberoamericana e Interamericana (Ricyt), havia 20.818 titulados em mestrados e 2.498 em nível de doutorado para os países da pan-Amazônia, exceto o Brasil, sendo que este formou no mesmo período 39.590 mestres e 11.314 doutores. Internamente, na Amazônia brasileira, há 6.412 alunos matriculados em programas de pós-graduação, mas os números se tornam pífios quando comparados com o estado de São Paulo que inclui 56.941 alunos matriculados no sistema de pós-graduação (12). No tocante à fixação de recursos humanos, a região Amazônica deve tornar-se atrativa para pesquisadores, especialmente jovens, mas também aos sêniores, de modo a criar massa crítica que possa produzir um efeito multiplicador pujante.
A modificação dos indicadores vistos acima é imperativa para a consolidação da nova geopolítica regional, a qual coloca a Amazônia como área fulcral para integração continental (13). Há, no panorama comercial, fortes indicativos de um alinhamento, ainda mais intenso, das economias mais importantes da América do Sul (Brasil, Argentina, Chile, Venezuela) através do Mercosul, sendo que este bloco comercial começa a interessar outros países latino-americanos e africanos. Trata-se, atualmente, de um mercado com 250 milhões de consumidores que, a semelhança de consumistas de outros mercados começam a tomar consciência das expectativas do mercado verde e, nesse contexto, a pesquisa amazônica emerge como a esperança para a sustentabilidade e a substituição dos modelos econômicos vigentes. Mas, há os que apostam na hostilidade do ambiente amazônico e no determinismo ecológico, que impulsionam as centenas de habitantes locais à estagnação econômica, ausência de empregabilidade e de renda (13). Contra esta situação, será necessária a cooperação científica e programas de integração compartilhados que construam a infraestrutura necessária (estradas, energia, ciência e tecnologia, etc) para alcançar vantagem competitiva.

PRIMEIRO MUNDO X TERCEIRO MUNDO
A imensa riqueza natural disponível no território pan-amazônico desafia os sistemas de ciência, tecnologia e inovação dos respectivos países a competir com o chamado primeiro mundo. Contudo, esse clima de desafios não poderá desencadear concorrência intracontinental predatória, levando à erosão da cooperação. Assim, o surgimento de uma diplomacia científica para estabelecer cooperação continental pacífica seria providencial. Neste sentido, o Brasil deveria exercer liderança segura considerando seu forte potencial científico e sua tradicional posição conciliatória. O tema da sustentabilidade planetária implica em sustentabilidade ambiental, econômica e social nos níveis continental e singular de cada país, desafios próprios do crescimento complexo, este requerendo esforço gigantesco de pesquisa.
O panorama mundial assinala que a grande fronteira hoje em expansão, no debate por liderança econômica, política e militar, situa-se, sobretudo, no domínio e controle sobre o conhecimento essencial à competitividade e à inovatividade. A produção de informação nova requer, cada vez mais, o esforço compartilhado entre pares, inclusive aqueles situados em contextos nacionais e institucionais diversos. Assim, a cooperação internacional deverá considerar essa tensão entre o crescimento da competitividade e a necessária produção colaborativa de conhecimento. Abrem-se novos tempos para uma possível democratização do acesso à informação e sua assimilação social em favor de um desenvolvimento em novas bases, sob distintos pontos de vista. No plano da geopolítica, coloca-se o desafio da desconcentração do conhecimento, beneficiando a manifestação de novos atores, com o surgimento de novas alianças e articulações advindas dos interesses estratégicos (energia, recursos naturais) vistos como capital de realização futura a mercados promissores. Haverá também a indicação de novas práticas de pesquisas que poderão dar ensejo a agendas de iniciativas de colaboração internacional em C&T, com simetria de benefícios e reciprocidades às partes, ainda que em situações distintas no jogo de forças internacional.
O reforço na cooperação entre países da região robustece as bases de negociação de eventuais iniciativas conjuntas com outros blocos regionais - por exemplo, a União Europeia - contribuindo para resolver dissonâncias em acordos de cooperação internacional e corrigir equívocos de ordem estratégica. É esta perspectiva que irá permitir o enfrentamento da questão dos "privilégios acumulados [de uns poucos] versus necessidades não respondidas [da maioria]", abrindo espaço para a priorização de temas.
A comunicação entre ciência e sociedade deverá ser expandida. Cientistas devem examinar problemas relevantes ao seu meio. Deve haver esforço, no âmbito governamental, no sentido de evitar a fragilidade das instituições de pesquisas e prevenir a drenagem de cérebros (braindrain). A cooperação assistencialista é outro fator que deve ser evitado, onde países desenvolvidos apenas utilizam o aumento da capacidade científica e tecnológica em países em desenvolvimento, sem haver reciprocidade no reconhecimento da relevância da ciência gerada nesses territórios.
Ações de pesquisa que sejam efetuadas no âmbito da pan-Amazônia acessando o patrimônio genético, o conhecimento tradicional e a proteção do conhecimento, pressupõem a harmonização de marcos legais. De outro lado, deverá haver diligências para que os pesquisadores, em qualquer parte da pan-Amazônia tenham acesso à literatura científica internacional, além de maior visibilidade relativa à produção científica. Para tal, será necessária a promoção da excelência em pesquisa com elevação do nível de competitividade para garantir financiamento aos centros de excelência. Uma forma de alcançar competitividade se dá através do incremento da infraestrutura, buscando facilidades multilaterais entre os Estados amazônicos, para concretizar programas de suporte a infraestrutura que sejam transestaduais, para aquisição de equipamentos e para cooperação e interoperacionalidade de instalações visando realizar ou aumentar atividades complementares.
Se se pretende alcançar melhor desempenho científico na Amazônia continental, então deverá haver significativa melhora na operacionalidade da internet regional, aumentando sua capacidade para Mbits/seg e depois para Gbits/seg. Também será necessária a criação de mecanismos recíprocos de informação, e formação de comissão intergovernamental regional com a finalidade de promover os meios logísticos e instrumentos legais para coordenar as atividades regionais de pesquisas. Uma das iniciativas à concretização dessas demandas deverá ocorrer no âmbito do Observatório Regional Amazônico, uma ação da OTCA, em reunião realizada no Inpa em setembro de 2012. O observatório terá a finalidade de elaborar estudos de interesse para a região. Incluirá a Plataforma de Cooperação na Área Ambiental, constituída por um sistema de informação integrado, com ênfase na biodiversidade, além de um serviço regional de capacitação. A geração de novas condições socioeconômicas para a Amazônia continental, com equiparação cognitiva, passa pelo compartilhamento de informações; isto requer um gigantesco esforço regional.
As informações disponíveis, na literatura científica, sobre o papel da Amazônia mostram a sua importância para a segurança ambiental planetária. Mas, deve também ser abordada como essencial para a diversificação da base econômica continental, notadamente agora, quando o mundo discute mudanças econômicas em direção à chamada bioeconomia e, neste aspecto, deve-se pensar nos recursos da biodiversidade em nível tecnológico avançado. Conforme a Academia Brasileira de Ciências (ABC) (14) a Amazônia é o desafio do século XXI e deve ser um modelo de desenvolvimento que não destrua o patrimônio natural, mas que receba investimentos suficientes para reduzir o atraso relativo em comparação a outras áreas com maior densidade tecnológica. É urgente entender que não é utopia o fato de que na Amazônia está em andamento a transformação de benefícios da natureza em mercancias (15).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Hoekman, J.; Frenken, K; van Oort, F. "The geography of collaborative knowledge production in Europe". Ann Reg Sci 43:721-738, 2009.
2. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. Unesco Science Report 2010. Paris, 2010.
3. Meyer, M.; Bhattacharya, S. "Commonalities and differences between scholarly and technical collaboration an exploration of co-invention and co-authorship analyses". Scientometrics 61(3):313-323, 2004.
4. Wagner-Doebler, R. "Continuity and discontinuity of collaboration behavior since 1800 - from a bibliometric point of view". Scientometrics 52(3):503-517, 2001
5. Edler,J.; Cunningham, P.; Flanagan , K. "Drivers of international collaboration in research". 2009.http://www.technopolis-group.com. Acessado em 28/03/2014.
6. Katz, J.S.; Martin,B.R. "What is research collaboration?" Res Policy 26(1):1-18, 1997.
7. Frenken,K; Holzl,W.; de Vor,F. "The citation impact of research collaborations: the case of European biotechnology and applied microbiology (1988-2002)". J Eng Technol Manage 22(1-2):9-30, 2005.
8. Escalona-Fernandez, M.I; Pulgarin-Guerrero, A.; Oliveira, E.F.T; Maria Claudia Cabrini Gracio, M.C.C. "Scientific collaboration network among Brazilian Universities: an analysis in dentistry area". Brazilian Journal of Information Science. 6(1):16-38, 2012.
9. Chaimovich, H. In: Foreign relations meeting with representatives of the civil society on the Fourth Summit of the Americas. Mar del Plata, 2006.
10. Chaimovich, H. In: Cooperacao Internacional na Era do Conhecimento. Brasilia: Centro de Gestao e Estudos Estrategicos, 2010.
11. Fonseca, C. R. V. O "Arduo caminho para a consolidacao do sistema de ciencia e tecnologia amazonico". T&C Amazonia, 10(21):4-8, 2011.
12. Banco Interamericano de Desarrollo. Ciencia, Tecnologia e Innovacion en America Latina y el Caribe.http://www.iadb.org, acessado em 28/03/2014.
13. Silva, F. C. T. "Amazonia: regiao-pivot da integracao sul-americana".http://www.blogdoalon.com/ftp/amazonia_pivot.pdf, acessado em 13/04/2014.
14. Academia Brasileira de Ciencias. Amazonia: desafio brasileiro do seculo XXI. Sao Paulo: Fundacao Conrado Wessel, 2008.
15. Becker, B. "Geopolitica da Amazonia". Estudos Avancados 19(53), 2005.


Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca é coordenador de biodiversidade e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), diretor geral da Associação Brasileira para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia e professor da Universidade do Estado do Amazonas (Uea). Email: rclaudio@inpa.gov.br

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Uma nova e distinta ordem de seres criados

O edifício portátil que fora construído por Moisés para que o Altíssimo pudesse habitar entre os homens é mais do que um simples tabernáculo ou tenda. É a real arquitetura preparada pelos céus para negociar e resolver o problema do pecado. Tal arquitetura fora pensada para ensinar o processo expiatório e, todos os seus utensílios, em ambos compartimentos, representam etapas do processo expiatório, as quais deveriam ser bem entendidas na atualidade, por tratar-se da forma como Deus se relaciona com os homens. Na verdade, a forma estética do tabernáculo representa a Lei de Deus com suas duas dimensões: amor e justiça.

No segundo compartimento do tabernáculo estava a arca da aliança, um móvel que continha, no seu interior, a Lei dos dez mandamentos, a vara de Arão que florescera e uma porção do maná. Estes três itens representam intensamente a justiça e a misericórdia de Deus. Cobrindo a arca, estava o chamado propiciatório ou cobertura da clemência, onde, entre os dois querubins representando o exército dos anjos, aparecia o Sheknah, a presença física de Deus, o qual já havia sido mostrado a Moisés quando da aparição da sarça ardente no deserto. Verdadeiramente, o tabernáculo era o lugar do trono de Deus na Terra; o Reino celeste entre os homens.

Do tabernáculo emanavam as instruções sobre como os israelitas deveriam proceder para alcançar relacionamento correto com Deus. Tal relacionamento se efetivava pela compreensão e observância da Lei de Deus. Aliás, relacionamentos com quaisquer tipos de governos ocorrem através do cumprimento de leis. Assim, deve ser nosso relacionamento com Deus.

O Deus da Bíblia (Jeová) é um soberano cujo território de ação é o universo. No caso do nosso planeta, palco da luta entre o bem e o mal, o sistema religioso que mantém alta a observância da lei de Jeová é a embaixada desse reino. No entanto, existe pluralidade de sistemas religiosos, mas, a maneira de reconhecer qual sistema religioso é a legítima embaixada é através da maneira como a Bíblia é manejada, uma vez que ela é a vontade explícita de Deus. Então, o sistema que considera a Bíblia na sua integridade sem selecionar ou esconder nenhuma de suas partes, mas que a mantém completamente aberta e, além disso, ensina como pode ser usada e adonada pelos seguidores, este deve ser considerado.

Aos sistemas religiosos chamamos igrejas, mas, o conceito de igreja no Novo Testamento é o conceito grego que denota “Assembleia aberta a todos os cidadãos do sexo masculino, com mais de dezoito anos que tivessem prestado, pelo menos, dois anos de serviço militar e que fossem filhos de um pai natural da polis. Atuava no âmbito da política externa e detinha poderes de governança relativos à legislação, judiciais e executivos”, ou ainda, mais simplesmente, reunião dos que foram chamados. Tal conceito aparece na história do povo de Deus através das eras, pois este tem sido chamado para refletir a vontade de Deus por meio de uma vida de fidelidade, confiança, obediência e amor. Fidelidade é a semelhança entre o original e a cópia; exatidão. A igreja de Deus busca semelhança, em caráter, com o modelo Jesus. Confiança quer dizer crédito, boa fé; os céus depositam certeza ou fidúcia na igreja. Obediência é a submissão à autoridade legítima; aquiescência; docilidade. Assim, na Bíblia quando aparece a expressão a paciência dos santos, e identifica os santos como os que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus, está-se falando daqueles que copiam o modelo que é Cristo (Apoc. 14:12).

Considerando que após a queda do homem a conformidade com a Lei de Deus não mais pode ser alcançada, o céu prometeu que faria uma aliança com os homens: “...porei a minha Lei no íntimo deles e as escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o Meu povo” (Jer.31:33). A Lei de Deus não devia ser somente uma norma externa de justiça: devia ser o motor determinante que guiasse e contivesse a conduta humana. Em II Coríntios 3:3-6 Paulo expressa o cumprimento da aliança referida: Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.  E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica”.

O Reino de Deus existe desde antes da criação do mundo e, quando este surgiu, passou a integra-lo. Quando Deus criou os primeiros seres humanos, deu-lhes domínio sobre todas as coisas. Adão devia governar o mundo. Porém, pela transgressão da Lei de Deus, ele perdeu o direito à soberania terrena, e o domínio passou para o arqui-inimigo, Satanás. Quando os representantes de outros mundos se reuniram diante de Deus durante o tempo dos patriarcas, foi Satanás quem apareceu como delegado da Terra (Jó 1:6). Esta situação define uma condição diferente do original, fato que levou o governo de Deus a tomar providências para resolver a governabilidade de planeta. Paulo descreve como está atualmente a situação em Efésios 2:1-2 “E Vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência”. De outra forma ele demonstra em II Coríntios 4:4 “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.

Embora tenhamos, em realidade, a presença de dois reinos no âmbito do grande conflito, não existe algo parecido com dupla cidadania. Estamos de um lado ou do outro. O reino do mal tem lutado contra o reino da justiça durante milênios. É impossível que uma pessoa seja fiel aos dois lados ao mesmo tempo. Temos que escolher qual reino terá a nossa lealdade. Em Colossenses 1:12-13 lemos “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”. Nestas circunstâncias, somos instados a agir em conformidade com as regras estabelecidas em I Coríntios 6:9-11 “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus”.

Se o que temos é uma luta moral entre dois reinos e, ao mesmo tempo temos vários sistemas religiosos que não satisfazem os vazios da alma humana e, que não esclarecem os limites de cada reino, deveríamos tentar entender melhor o significado destas “igrejas” buscando identificar o papel da verdadeira igreja no contexto celeste, bem como, da luta entre o bem e o mal.

A escritora Ellen White descreveu em sua obra alguns indicadores que lançamos mão, neste momento, para que esclareçamos o papel da verdadeira igreja. Chamo sua atenção para a descrição da criação em dois momentos. Peço-lhes que leiam com acurado cuidado os seguintes parágrafos:

Os anjos leais lamentaram a sorte daqueles que haviam sido seus companheiros de felicidade e bênçãos. Sua falta foi sentida no Céu. O Pai consultou a Jesus quanto à possibilidade de executar imediatamente o propósito de fazer o homem para habitar a Terra (Signs of the Times, 9 de janeiro de 1879). 

Neste parágrafo temos o emprego de duas idéias. A primeira trata da falta sentida no céu relacionada aos anjos expulsos. A segunda, aparentemente desconectada da anterior, diz-nos da alteração no cronograma de Deus para a criação da Terra. Duas perguntas surgem: Por que os anjos sentiram falta dos outros que caíram? Qual a ligação entre o sentir a falta e o apressamento da criação do homem? Vejamos com muito cuidado, os parágrafos seguintes:

As mais brilhantes e exaltadas estrelas da alva louvaram... a glória [de Cristo] na criação, e anunciaram Seu nascimento com cânticos de alegria (Signs of the Times, 4 de janeiro de 1883).  Por que os as estrelas da alva louvaram e anunciaram com alegria a criação? Não nos parece algo semelhante ao nascimento de Jesus? Leiamos o próximo parágrafo:

Quando Deus formou a Terra, havia montanhas, colinas e planícies, e serpenteando entre estas existiam rios e fontes de água. A Terra não era constituída de uma extensa planície, mas a monotonia do cenário foi quebrada por outeiros e montanhas, não elevadas e ásperas como são agora, mas regulares e belas em sua forma. ... Os anjos contemplavam e se regozijavam diante das maravilhosas e belas obras de Deus (Spiritual Gifts, vol. 3, pág. 33). Novamente, os anjos nunca tinham visto obras belas antes? Seria o universo já existente inferior ou será que estamos diante de algo muito admirável?

Todo o Céu tomou profundo e alegre interesse na criação do mundo e do homem. Os seres humanos constituíam uma nova e distinta ordem (Review and Herald, 11 de fevereiro de 1902). Vejamos bem, o céu tomou interesse profundo no surgimento de um novo planeta e de uma nova ordem de seres. Estamos lendo sobre algo incomum. Sigamos a leitura:

Depois dos seres angélicos, a família humana, formada à imagem de Deus, constitui a mais nobre de Suas obras criadas (Review and Herald, 3 de dezembro de 1908)Chamamos a atenção para a descrição: a mais nobre de suas obras.

O Senhor... havia dotado Adão com poderes mentais superiores a qualquer outra criatura vivente que houvesse feito. Suas faculdades mentais eram apenas um pouco menor do que as dos anjos (Review and Herald, 24 de fevereiro de 1874). 

 Tão logo Deus, através de Jesus Cristo, criou nosso mundo e colocou Adão e Eva no jardim do Éden, Satanás anunciou seu propósito de conformar à sua própria natureza o pai e a mãe da humanidade. Review and Herald, 14 de abril de 1896. Por qual razão Satanás anunciou sua intenção de conformar a sua natureza no homem? Há algo de especial na criação do mundo e do homem que irrita o inimigo, sigamos lendo os parágrafos abaixo e vejamos novas informações.

 Quando o Senhor apresentou Eva a Adão, anjos de Deus testemunharam a cerimônia (Nos Lugares Celestiais, pág. 203). 

Este casal imaculado não usava roupas artificiais. Achavam-se vestidos com uma cobertura de luz e glória, tais como os anjos (Signs of the Times, 9 de janeiro de 1879).  O casamento de Adão e Eva fora assistido por toda hoste angélica e, por outro lado, os humanos usavam as vestes dos anjos. Os homens eram como os anjos. O que significa a criação de uma classe especial de seres parecidos com os anjos e semelhantes a Deus?

Deus criou o homem para Sua própria glória, para que depois de testada e provada, a família humana pudesse tornar-se uma com a família celestial. Era o propósito de Deus repovoar o Céu com a família humana (SDA Bible Commentary, vol. 1, pág. 1.082). Há neste parágrafo duas importantíssimas informações: criado para a sua própria glória, ou seja, criado para ser semelhante a Deus; o caráter do homem era o mesmo caráter de Deus. A outra informação mostra o propósito de Deus em repovoar o céu. Bem, agora, chamamos atenção para outra criação. Leia com muita atenção os parágrafos que estão abaixo.

 Deus o fez [a Lúcifer] bom e formoso, tão semelhante quanto possível a Si próprio (Review and Herald, 24 de setembro de 1901). Verifiquemos as semelhanças entre a criação do homem e a de Lucifer.

Deus o havia feito [a Lúcifer] nobre, havendo-lhe outorgado ricos dotes. Concedeu-lhe elevada posição de responsabilidade. Nada lhe pediu que não fosse razoável. Deveria ele administrar o cargo que Deus lhe atribuíra, num espírito de mansidão e devoção, buscando promover a exaltação de Deus, o qual lhe dera glória, beleza e encanto (The Sabbath School Worker, 1º de março de 1893). 

Lúcifer, no Céu, antes de sua rebelião foi um elevado e exaltado anjo, o primeiro em honra depois do amado Filho de Deus. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. A testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, o porte nobre e majestoso. Uma luz especial resplandecia de seu semblante e brilhava ao seu redor, mais viva do que ao redor dos outros anjos; todavia, Cristo, o amado Filho de Deus, tinha preeminência sobre todo o exército angelical. Ele era um com o Pai, antes que os anjos fossem criados (História da Redenção, pág. 13). 

Lúcifer era o querubim cobridor, o mais exaltado dentre os seres criados. Sua posição era a mais próxima do trono de Deus, e ele se achava intimamente vinculado e identificado com a administração do governo de Deus, havendo sido ricamente dotado com a glória de Sua majestade e poder (Signs of the Times, 28 de abril de 1890). 

Lúcifer, "filho da alva", era o primeiro dos querubins cobridores, santo e puro. Permanecia na presença do grande Criador, e os incessantes raios de glória que cercavam o eterno Deus, repousavam sobre ele ( Patriarcas e Profetas, pág. 35).

 [Lúcifer] fora o mais elevado de todos os seres criados, e o primeiro em revelar ao Universo os desígnios divinos (O Desejado de Todas as Nações, pág. 758). 

Houve um tempo em que Satanás se encontrava em harmonia com Deus, quando era sua alegria executar os divinos mandamentos. Seu coração encontrava-se cheio de amor e regozijo em servir ao Criador, até que começou a imaginar que sua sabedoria não derivava de Deus, sendo antes inerente a ele próprio, e que ele era tão digno quanto Deus de receber honra e poder (Signs of the Times, 18 de setembro de 1893). 

O que lemos acima mostra que os atributos dados a Lúcifer são os mesmos dados a Adão. À Lúcifer também fora dada a semelhança com Deus em caráter e uma atribuição honrosa: a criatura na qual se viam demonstrados os atributos de Deus e à qual o universo mirava quando queria estudar sobre Deus. Era um anjo exaltado mais que os outros e, no seu nome estava inscrita a sua missão: demonstrar ao universo a luz, isto é, a Lei de Jeová. Lúcifer era o modelo no qual as criaturas todas copiavam a Deus.

Com a queda de Lúcifer, o modelo estabelecido desaparece, por essa razão os anjos sentem falta. Neste contexto, Deus pede a Jesus que apresse a criação do homem, e este seria criado com os mesmos atributos de Lúcifer; seria o novo modelo para o universo. Por essa razão, o céu acompanhou com profundo interesse a criação do homem e toda a corte angélica veio ao casamento, uma vez que os filhos de Adão e Eva seriam também modelos. Vejamos, era intenção de Deus multiplicar modelos. Por que Deus queria assim?

Voltemos ao cenário da batalha no céu. Lúcifer semeou dúvidas sobre o caráter de Deus por todo universo criado. O poder de persuasão deste anjo era enorme por ser ele o modelo criado para demonstração do caráter e da Lei de Jeová. Assim, suas idéias e argumentos viajaram pelo universo e contaminaram, por assim dizer, toda criação de Deus.

A Terra teve seu surgimento antecipado para que o governo celeste tivesse um espaço novo e sem contaminação onde pudesse ser demonstrada a excelência da Lei e do caráter divino. Em atmosfera limpa e asséptica fora colocado o homem, criado com as mesmas características de um modelo ao universo. Tivesse o homem permanecido em seu estado original, o problema criado por Lúcifer teria sido demonstrado e resolvido. No entanto, não aconteceu assim, o homem assentiu às ideias de Satanás e o plano de Deus foi frustrado, pelo menos inicialmente. O que aconteceu então para resolver a situação?

Deus enviou a Jesus como o segundo Adão, o segundo modelo, vindo na forma de homem e permanecendo assim para sempre, para que fosse demonstração para os homens e para o universo. É necessário que façamos um correto raciocínio agora sobre os fatos atuais. À igreja de Deus, cuja cabeça é Cristo, foi dada a missão de demonstrar o caráter de Deus e servir como modelo ao mundo. “Vindo habitar conosco, Jesus devia revelar Deus tanto aos homens como aos anjos. ... Mas não somente a Seus filhos nascidos na Terra era feita essa revelação. Nosso pequenino mundo é o livro de estudo do Universo. O maravilhoso desígnio de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema para que "os anjos desejam bem atentar" (I Ped. 1:12), e será seu estudo através dos séculos sem fim”. (O Desejado de Todas as Nações, pág. 19). A obra do cristão nesta vida é representar Cristo perante o mundo, revelando, na vida e no caráter, o bendito Jesus. Se Deus nos tem dado luz, é para que a revelemos aos outros” (Testemunhos Seletos v.2 p.340).

Caros leitores, a dimensão humana no contexto da igreja é muito maior e muito mais importante do que imaginamos. A incompreensão da missão eclesial leva aos homens a utilizar a igreja para seus próprios propósitos, muitas vezes confundindo-a com agremiações sociais para consecuções humanas, servindo a interesses políticos temporais e mundanos. Todavia, seu papel é servir de modelo ao universo na demonstração do caráter de Deus e da sua Lei, assim como fora o papel de Lúcifer quando em estado de pureza. Este será o papel dos salvos por toda eternidade.



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Nascer da água e do Espírito

Um dos assuntos mais confusos no âmbito do cristianismo é como deve ser o batismo e, se a validade do batismo é tão ampla que transcende as denominações. Esta questão foi cabalmente discutida nos escritos paulinos do Novo Testamento bíblico, conforme vemos na seguinte afirmação: "Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, Aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7:4). 

Paulo, um mestre excelente, compreendeu a transição entre o judaísmo e o cristianismo e nos orienta soberanamente no assunto do batismo. Abrindo um pequeno parêntese, percebamos a sapiência paulina no verso acima; em uma frase Paulo resume a enorme ciência da salvação. Somente aqueles que dominam um determinado conhecimento podem ter tal poder de síntese! Voltando, agora, ao assunto do batismo, vemos que para entender as razões do ritual, teremos que ir às origens, quando da queda do gênero humano. 

Ao sair das mãos do criador o homem trazia consigo a imagem dEle, ou seja, estava completamente em conformidade com a Lei do reino de Deus. Paulo explica o que ocorreu por causa da queda: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm.8:2). Enquanto viveu em seu estado original, Adão existia na lei da vida; em pecado, imperou a lei da morte. Abriu-se um abismo entre o homem e a fonte da vida, ficando este separado da vida, sob outra lei. Nesta condição, os filhos de Adão, todos, foram submetidos à lei da morte tornando-se, portanto, mortais. Conforme afirma Paulo no texto acima, a mesma lei que garante a vida passou a ser a lei que determina a morte. Então, por que a morte passou a dominar? 
Em todo sistema legal a não observância dos marcos judiciais gera um débito para com o sistema. E, no caso da Lei de Deus, esse débito moral faz com que a criatura carregue um estado de anomia que lhe é intrínseco, fato explicado na bíblia como não havendo nenhum justo, nem um sequer (Rm. 3:10). Tal situação coloca em cada ser humano em um tipo de débito somente pago com própria morte. 

A resolução deste problema foi mostrada por Jesus na conversa que ele manteve com Nicodemos: Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. (Jo. 3:3-6). Jesus explica o que é necessário para liquidar o débito. 

Todo homem nasce sob Adão e, por consequência, é mortal. Para sair da morte para a vida, necessita nascer de outro pai que esteja submetido à lei da vida. Para tal, os céus enviaram a Jesus, chamado nas escrituras de o outro Adão (I Cor.15:45), para que através do batismo pudéssemos morrer para a carne e nascer para o Espírito. 
  
Como, de fato, ocorre esta transformação? Vamos aos escritos paulinos para obter a resposta: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida (Rm 6:4)”. “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Col. 2:12)”. Através do batismo morremos com Cristo e renascemos de um novo pai, não mais do primeiro Adão e sim do segundo Adão. Passando a imitá-lo e, em razão da justiça do novo pai, somos justificados e não mais condenados; a lei que nos condenava à morte passa a ser a lei da vida em Cristo. 

É importante entender bem o que ocorreu. Jesus pagou o preço exigido pela lei e nos libertou da escravidão da morte. No entanto, a lei não está anulada e continua sendo observada nas condições de uma nova vida. Assim, o crente deixa de estar em desarmonia com Deus e passa a ter um relacionamento correto com Ele (não nenhuma outra maneira de nos relacionarmos com Deus se não através da lei). 

Na conversa com Nicodemos, Jesus afirmou que era necessário nascer da água e do Espírito. O nascer do Espírito significa mudança mental e predisposição para obedecer a lei. Tal comportamento vai sendo consolidado dia a dia, através da graça que é concedida ao renato. O Espírito Santo conduz o crente às fontes de convencimento que são a Bíblia e o Espírito de Profecia. A leitura e estudo destas fontes da graça levam ao conhecimento de Cristo e ao esclarecimento de raciocínios que antes eram incompreensíveis. Os ensinos que haviam sido mistérios são esclarecidos.  Guiados pelo Espírito raia luz no entendimento anteriormente obscurecido. Por esse processo, nasce um novo homem de acordo com as expectativas dos céus. 

Toda a preparação que se necessita para o encontro com Jesus no seu regresso se dá através do que se viu acima e, para que tenhamos um auxílio coadjuvante, nosso bom Deus nos aproxima da sua igreja onde, buscamos o nascimento pela água e onde há também orientação sobre o que estudar e como estudar. Igrejas que advogam a não observância da lei de Deus não podem promover o novo nascimento, considerando que o novo homem vai estabelecer o relacionamento correto com Deus, tal qual o experimentado por Adão antes da queda. Por essa razão, não tem validade os batismos que são realizados tendo como fundamento filosófico a anulação da lei. Enquanto não houver o nascimento da água e do Espírito a criatura jaz no mundo dos mortos. Aquele que nasce no reino de Deus frutificará, ou seja, passará a  viver na esperança de estar cada vez mais e mais assemelhado a CristoMas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Prov.4:18).