terça-feira, 28 de outubro de 2014

O grande Julgamento

O mundo cristão defende a ideia de um grande e final julgamento quando Deus dará a cada membro da humanidade a recompensa por sua atuação neste mundo. O conceito do julgamento está também em religiões não cristãs, tais como, judaísmo e islamismo, por exemplo. Assim, todos os homens deverão prestar contas de seus atos perante um tribunal cujo juiz é o próprio Deus. A Bíblia orienta os homens em relação ao juízo em Apocalipse 14:6,7 dizendo: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas!”.  Outra vez em Atos 17:31 diz: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo”.

Muitos religiosos buscam inferir como será este julgamento e como a humanidade se comportará diante do juiz. Artistas pintam quadros onde tentam retratar esse dia solene, mas, é na própria Bíblia que encontramos a descrição deste julgamento. Em Mateus 25:31,32 lemos: “E quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono da Sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dEle, e apartará uns dos outros”.

Jesus apresentou, neste discurso, sua decisão como girando em apenas um ponto: o destino eterno de cada homem será determinado pelo que houverem feito ou negligenciado fazer por Ele na pessoa dos pobres e sofredores.

A escritora Ellen White comenta esta ocasião da seguinte maneira: “Naquele dia, Cristo não apresentará aos homens a grande obra que Ele fez em seu benefício, ao dar a própria vida pela redenção deles. Apresenta a fiel obra que fizeram por Ele. Aos que põe à Sua direita, dirá: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-Me de comer; tive sede, e destes-Me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-Me; estava nu, e vestistes-Me; adoeci, e visitastes-Me; estive na prisão, e fostes ver-Me”. Mateus 25:34-36. Mas aqueles a quem Cristo louva, não sabem que O tinham servido a Ele. À sua perplexa interrogação, responde: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes”. Mateus 25:40. (Desejado de Todas as Nações (DTN), p. 451).

Há somente dois grupos de pessoas; os que construíram um caráter semelhante ao de Cristo e os que não se preocuparam com o aprimoramento do seu próprio caráter. Sobre estes a escritora acrescenta: “Os que estão à esquerda de Cristo, os que O negligenciaram na pessoa dos pobres e sofredores, estavam inconscientes de sua culpa. Satanás os cegara; não perceberam o que deviam a seus irmãos. Estiveram absorvidos consigo mesmos, e não cuidaram das necessidades dos outros. (DTN 452). 

Neste mesmo trecho a escritora acresce que “Deus deu aos ricos fortuna para que socorram e confortem Seus filhos sofredores; mas demasiadas vezes são indiferentes às privações dos demais. Sentem-se superiores a seus irmãos pobres. Não se colocam no lugar deles. Não compreendem suas tentações e lutas, e a misericórdia extingue-se-lhes no coração. Em custosas habitações e esplêndidas igrejas, os ricos excluem-se dos pobres, e os meios dados por Deus, para beneficiar os necessitados, são gastos em ostentação, orgulho e egoísmo. Os pobres são diariamente roubados quanto à educação que deviam ter a respeito das ternas misericórdias de Deus; pois Ele tomou amplas providências para que fossem confortados com o indispensável à vida. São forçados a sofrer a pobreza que limita a existência, sendo muitas vezes tentados a ficar invejosos, ciumentos e cheios de ruins suspeitas. Os que não sofreram, por sua parte, a pressão das necessidades, frequentemente tratam os pobres com menosprezo, fazendo-lhes sentir que são considerados indigentes (DTN 452).

Jesus ilustrou a situação dos religiosos em relação ao juízo final na parábola das dez virgens. Ali, um grupo de cinco jovens dormiu enquanto esperavam o noivo. Para estas, faltou óleo às suas lâmpadas e, no momento em que o noivo chegou não tinham suas lâmpadas acesas e, no desespero para acompanhar o noivo, saíram para comprar óleo, mas, não o encontraram. Mesmo assim, foram até o endereço das núpcias e, batendo na porta solicitaram entrada, mas, o noivo as repeliu dizendo que não as conhecia.

Esta parábola é significativa. A semelhança do que é apresentado no capítulo 25 de Mateus, aqui também estão dois grupos. Para um deles faltou o óleo e, por consequência, suas lâmpadas apagaram. Tal fato ocorreu porque dormiram. O que significará o dormir no ambiente do juízo final?

A compreensão de tão profundo ensinamento deixado por Jesus parece estar no livro de Números, capítulo 28, nos versos 1 a 6: “Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Dá ordem aos filhos de Israel, e dize-lhes: Da minha oferta, do meu alimento para as minhas ofertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para me oferecê-las ao seu tempo determinado. E dir-lhes-ás: Esta é a oferta queimada que oferecereis ao SENHOR: dois cordeiros de um ano, sem defeito, cada dia, em contínuo holocausto; Um cordeiro sacrificarás pela manhã, e o outro cordeiro sacrificarás à tarde; E a décima parte de um efa de flor de farinha em oferta de alimentos, misturada com a quarta parte de um him de azeite batido. Este é o holocausto contínuo, instituído no monte Sinai, em cheiro suave, oferta queimada ao SENHOR”.

Deus comanda que os sacrifícios de animais deveriam ser acompanhados de 1/10 de flor de farinha juntamente com ¼ de azeite batido. Será necessário entender o que estas medidas representam e por que são determinados flor de farinha e óleo para completar o sacrifício. Efa era uma medida judaica para grãos equivalente a 23 litros. Um décimo de efa equivale a 2,3 litros. O him era uma medida para líquidos equivalente a seis litros, logo, um quarto de him equivale a 1,5 litros.

Agora que sabemos o que as medidas requeridas representam no sistema decimal, podemos ver o significado de flor de farinha. Segundo o Seventh Day Adventist Bible Commentary "a flor de farinha, ou farinha fina, é o produto da cooperação entre Deus e os homens. Deus coloca o princípio da vida na semente, dá sol e chuva, e a faz crescer. O homem semeia a semente, a cuida, a colhe, a moi para fazer farinha, e apresenta esta farinha perante o Senhor, ou a prepara em tortas cozidas ao forno. É a soma do dom original de Deus mais o trabalho do homem.  É devolver a Deus o que é dEle com juros. É símbolo da obra da vida do homem, de talentos aperfeiçoados. Deus dá a cada homem talentos segundo a capacidade que tenha para emprega-los. Alguns têm vários talentos; ninguém carece totalmente deles. Deus não se compraz quando os homens somente devolvem a quantidade de semente que lhes foi confiada. Deus quer que os homens semeiem a semente, a cuidem, a colham, a limpem de toda impureza, a moam entre as duas pedras do moinho, sacando dela toda a vida mediante a trituração, e logo a apresentem como "flor de farinha". Deus espera que cada talento seja melhorado, refinado e enobrecido".

No texto se faz menção de triturar a farinha entre as duas pedras do moinho, embora existam outras maneiras de se triturar o grão; por que está mencionado o moer entre duas pedras?

A palavra pedra na linguagem bíblica pode simbolizar diversos aspectos quando aparece no singular. Duas pedras geralmente estão relacionadas com aquelas pedras que foram dadas a Moisés, as quais continham a escrita de Jeová. Assim, podemos interpretar a moagem entre duas pedras como sendo o aperfeiçoamento do homem através da lei dos dez mandamentos. Neste sentido, o Seventh Day Bible Commentary acrescenta que “a farinha não é mais que o grão triturado. Antes de ser moído, o grão era capaz de perpetuar-se, de transmitir vida. Depois de passar pela moenda, é aparentemente inútil. Nunca poderá ser plantado novamente. Não tem vida. Porém, é inútil? Não. Deu sua vida; foi morto para suster outra vida. A trituração de sua própria vida o transformou no meio de perpetuar uma vida superior. Era a vida da semente; agora ajuda a manter a vida de um ser vivente, criado à imagem de Deus. A morte o enriqueceu, o glorificou, tornando-o útil para o homem”.

Agora que sabemos que a flor de farinha representa as obras humanas aperfeiçoadas pela lei poderemos buscar o significado do azeite batido. Utilizando novamente o Seventh Day Bible Commentary encontramos que “a farinha não devia oferecer-se só; devia mesclar-se com azeite. O azeite é símbolo do Espírito de Deus. Somente quando a vida está santificada pelo Espírito, quando está mesclada com ele, e esteja ungida por ele, poderá ser agradável diante de Deus. O sofrimento em si mesmo quiçá não resulte uma benção. Para alguns lhes endurece o coração e amarga o espírito. Porém quando o Espírito Santo toma posse da alma e o doce espírito do Mestre se difunde na vida, se manifesta a fragrância de uma vida consagrada”.

Na verdade, estamos diante de uma equação matemática importante: 2,3 de obras humanas purificadas pela lei mais 1,5 da ação do Espírito Santo. O que temos é a proporção que deve ser utilizada para que sejam apresentados diante de Deus sacrifícios agradáveis.

Voltando para a parábola das dez virgens, cinco delas dormiram, ou seja, não tinham realizado os 2,3 da parte do homem e, por consequência, não tinham os 1,5 do Espírito Santo. Jesus mesmo informou que os seus filhos seriam a luz do mundo. Em I João 2:9 temos a definição de luz: “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Através de João podemos entender que as virgens que dormiram não se preocuparam com os seus semelhantes e, não tinham luz e nem o óleo do espírito Santo. Por consequência foram consideradas desconhecidas ou incluídas no grupo daqueles que não tiveram acesso às núpcias ou não aperfeiçoaram o seu caráter.


No grande juízo que, segundo a profecia, já está em curso, haverá somente dois grupos. O anjo do Apocalipse declarou que era chegada a hora do juízo e incitou a todos em relação ao adorar aquele que fez o céu e a terra. A razão para esta ordem é clara; o Deus que criou o céu e a terra pôs neles os princípios da sua lei. A observação do funcionamento de ambos deverá ensinar aos homens como devem agir também. Ao final, quando o juiz prolatar a sentença final, colocará um grupo de pessoas à sua direita e outro grupo à sua esquerda, separando aqueles que realizaram obras no ambiente da lei, daqueles que realizaram obras no ambiente humano egoísta.