segunda-feira, 8 de agosto de 2016

NOSSA DIMENSÃO NUMA SOCIEDADE DE PALAVRAS

O Salmo 8 é um dos mais significativos por ser uma análise do significado do homem:

“Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus! Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador. Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!”

Ao escrever este salmo, o poeta bíblico se inspirou na vista do céu noturno com o fulgor do brilho da lua e das estrelas. Não é mencionado o sol. É provável que o espetáculo do céu estrelado produza no coração humano maior admiração e maravilha que o céu diurno, quando os ruídos, a poluição e as cenas da terra distraem a atenção.

O Seventh Day Adventist Bible Commentary explica que Enosh é um vocábulo hebraico usado para marcar a fragilidade humana. Quando uma pessoa contempla a imensidão, o mistério e a gloria dos céus noturnos, reflexiona no infinito espaço e nos inumeráveis corpos celestes, deve sentir-se como um ponto infinitesimal no universo.

Se olhar para os céus noturnos deixa uma marcante impressão nos mortais iletrados, quanto maior não há de ser a admiração dos que, aprovisionados com a crescente informação da astronomia moderna, contemplam o céu através de modernos observatórios!

O Seventh Day Adventist Bible Commentary diz que o salmista usa ainda a expressão o filho do homem,  do Hebraico ben-adam, para destacar a natureza terrena do homem, formado do pó da terra (Gênesis 1: 26; 2: 7). Por causa da sua formação, adverte o salmista, o que é o homem para que Deus o visite ou que se absorva por ele. Mas, um Deus essencialmente amoroso há de ter cuidado com o ser humano a despeito de ser também um Deus para os demais mundos.

Segundo o livro Testemunhos II de Ellen White, a importância do homem somente é percebida quando se toma em conta a morte de Cristo na cruz. O valor da alma humana está explícito no calvário (2 Test. p. 634, 635).

Se é importante a revelação de Deus nos fenômenos visíveis da natureza, mais importante ainda é sua revelação na vida humana. O tamanho e a extensão não são elementos de juízo suficientes para tributar o valor de alguma coisa. Tem-se dito que o olho e o cérebro que veem o firmamento são mais maravilhosos que os céus por eles contemplados através do telescópio mais poderoso.

Ainda no Seventh Day Adventist Bible Commentary encontramos que a afirmação do salmista “ser o homem é um pouco menor que os anjos”, no original hebraico me'elohim, significa literalmente, "um pouco menor que Deus". Os tárgumes (manuscritos do Velho Testamento em aramaico), a Septuaginta (LXX), as versões siríacas e a citação desta passagem em Hebreus 2:7 dizem "anjos" em vez de "Deus". Entretanto, as versões gregas de Aquila, Símaco e Teodocião, e também a Vulgata, trazem a tradução "Deus". Alguns consideram que a palavra Elohim poderia aplicar-se também a homens ou a anjos ( Exodo 21: 6; Salmo 82: 1). No entanto, Gesenio, aclamado como o pai dos gramáticos hebraicos traduz: "O fizeste com que lhe falte pouco de Deus"; vale dizer, "o fizestes só um pouco inferior a Deus". Não importa se lemos “menor que os anjos”, ou " menor que Deus"; é evidente que o homem está num plano muito superior ao do reino animal, devido a sua vinculação com Deus. Entretanto, no melhor dos casos, o homem finito é inferior ao Deus infinito. Todavia, na qualidade de senhor da Terra, o homem participa dos atributos de Deus, o rei do universo. Por isso foi revestido de honra e de glória.

É nesta condição que devemos nos apresentar diante de Deus. Assumindo posição destacada entre tantos, por causa da nossa origem. Somos elementos da sociedade humana, com capacidades para assumir posições e, em especial, comissionados para cuidar da maior responsabilidade dada aos mortais, a do bem-estar do próximo.

Espera a humanidade que tenhamos obtido conhecimento suficiente para desempenhar com brilhantismo e profissionalismo, as funções para as quais estamos aptos segundo os assentamentos bíblicos. Todavia, uma etapa mais alta deve ser alcançada, a do aperfeiçoamento, etapa na qual nosso desempenho deve estar focado no aprimoramento e especialização, na construção de pessoas das quais o mundo venha a se orgulhar e a desejar.

Todos os óbices ou lacunas sociais deverão ser encarados como desafios estimulantes que esperam por soluções. Nossa geração não poderá passar sem apresentar soluções, mas sempre haverá novos desafios e novos problemas. O homem formado à imagem de Deus tem o privilégio de ser um anjo enviado por Deus para minorar os sofrimentos do corpo e muitas vezes da alma.

A excelência exigirá aplicação aos estudos. Não abrir os livros, não procurar aperfeiçoamento em novos cursos, impedirá a compreensão do mundo e, consequentemente, a atuação como agente divino comissionado para auxiliar a sociedade.

Sendo que Deus deu aos homens honra, conforme nos disse o salmista, é nossa responsabilidade corresponder a esta honra concedida a priori. Mas, não somente corresponder à honra concedida, multiplica-la e entrega-la às gerações que nos sucederem. Nossa influência deverá ser forte o suficiente para construir uma nova geração ainda melhor que a nossa. O principal legado que homens podem deixar é a construção de outros homens ainda mais honrados e virtuosos, cheios de respeitoso espírito de cooperação.

Há algo que necessitamos compreender: a diferença entre dois conceitos frequentemente confundidos, poder e influência. Tendemos a pensar que são similares ou idênticos. Pensamos que pessoas de poder têm influência e pessoas de influência têm poder. Mas não é assim. Os dois são muito distantes e operam por lógicas muito diferentes.

Imaginemos que temos o poder total. Isto significa que o que nós dizemos assim será. Então um dia nós decidimos compartilhar nosso poder com nove outros. Agora, na melhor das hipóteses, temos um décimo do poder anterior. Agora nós decidimos compartilhar influência com nove dos nossos parceiros. Temos então dez vezes mais influência do que tínhamos antes, porque ao invés de somente nós há agora dez pessoas enviando a mesma mensagem.

O Poder trabalha por divisão, a influência por multiplicação.  O Poder, em outras palavras é um jogo de soma zero: quanto mais compartilhamos, menos temos. A Influência não é um jogo de soma zero: quanto mais compartilhamos mais nós temos.

Como vimos, há uma demarcação clara entre liderança como influência e liderança por poder. A Bíblia reconhece e afirma que todo poder pertence diretamente a Deus. Porém, a real liderança, aceita com louvor pela Bíblia, está na influência. Esta é a mais revolucionária ideia. Como exemplo, vejamos o judaísmo. Conforme assinalou o Rabino Jonathan Sacks, em seu livro Lessons in Leadership, foi a maior civilização a prever sua própria sobrevivência ancorada na educação, nas casas de estudo, e no aprendizado como experiência religiosa mais elevada do que a própria oração. A razão é que líderes são pessoas hábeis a mobilizar outras a agir de certas maneiras. O outro modo de conseguir liderança é entender as necessidades e aspirações das pessoas e ensina-las como consegui-las de modo conjunto, como um grupo. Isto é realizado através do poder da visão, força de personalidade, habilidade para articular compartilhamento de ideais em uma linguagem com a qual as pessoas estejam identificadas, e a capacidade de levantar muitos discípulos, os quais continuarão o trabalho no futuro.  O Poder diminui aqueles sobre quem é exercido. A Influência levanta e desenvolve pessoas.

Nem todos vamos obter poder, porque este é dado por Deus quem o possui, mas todos podemos ter influência. A mais importante forma de liderança não vem com títulos, prestígio, posição, roupas oficiais, mas com a prontidão ao serviço juntamente com outros, para buscar aquilo que não podemos alcançar sozinhos; falar, ouvir, ensinar, aprender tratar outras pessoas com respeito, mesmo as que são antagônicas a nós; explicar paciente e convincentemente por que cremos no que cremos e fazemos o que fazemos; encorajar outros a realizar os seus melhores esforços, e desafia-los a realizarem o seu melhor. Sempre escolher a influência antes do que o poder. Isto ajuda a mudar as pessoas as quais podem mudar outras pessoas; é assim que podemos mudar o mundo.

Nossa postura diante de Deus deve ser aquela de quem quer ser uma benção. Ninguém no mundo dos vivos existe somente para si. Por essa razão vivemos em sociedade; as cidades são formadas por muitas sociedades que adicionadas formam ambientes de trocas que produzem segurança. Juntos deslocamos o medo. Estamos mais seguros porque sabemos que há, na grande associação de pessoas, solução para a maioria os problemas. Neste contexto, a nossa participação na sociedade local deve considerar primeiramente que o nosso preparo deve ser esmerado para não diminuir a expectativa da segurança social, ou seja, devemos realizar o nosso melhor no sentido do serviço ao semelhante, e somente depois devemos pensar em recompensa, quer no sentido da honra, quer no sentido monetário. Há na sabedoria indiana o seguinte raciocínio: não corra atrás do dinheiro, deixe que o dinheiro corra atrás de você! Em outras palavras, devemos fazer o nosso dever da maneira mais completa e sábia possível, assim não teremos problemas financeiros.

No entanto, Nosso Mestre, Jesus Cristo, ensinou que para ter sucesso neste mundo, deveremos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas nos serão acrescentadas.
A palavra-chave é justiça. Dar a outros o seu direito primário. Então temos dois ensinamentos nas palavras do Mestre: buscar o bem-estar daqueles que nos rodeiam aplicando-lhes a justiça; este é o primeiro ensino. O segundo é: todas as outras coisas serão acrescentadas.

Que Deus possa abençoar-nos com sabedoria, a primeira das grandes bênçãos; que Ele nos abençoe com saúde, a maior riqueza desta vida. Porém, a mais importante das bênçãos é ser aprovado por Deus; Ter diante de nós o rosto de Deus levantado em nossa direção e ter o sorriso dEle aprovando nosso dia a dia.


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